No ateliê de Fause Haten
Corta e recorta tecidos.
Prega, costura, passa e repassa vestimentas.
Veste-se e se despe de si.
Assim é Fause.
Haten está envolvido com o universo têxtil desde que se entende por gente. De família libanesa, cresceu envolto em tecidos e confecção, com marca e loja próprias, por anos. Participou do calendário oficial da moda brasileira e também de Nova Iorque, quando fez barulho com seus desfiles com mulheres e homens impactantes, carregados de ousadias sofisticadas!
A vontade de estar no palco levou Fause a criar figurinos importantes e premiados para peças de teatro e musicais. Mas isso não bastou. Multitalentos que é, cantou, escreveu e atuou também como ator em monólogos que falam das angústias de ser artista.
No fazer e na construção de peças têxteis é aonde Fause se sente mais a vontade, com uma habilidade ímpar. Por isso resolveu abrir seu acervo e, a partir de peças suas e outras garimpadas por brechós do mundo todo, passa a ressignificá-las, transformando-as em esculturas, em formas de rostos ou máscaras apenas com a aplicação de alfinetes e poucos pontos, para alcançar os volumes pretendidos.
Ao fim, o assunto não poderia deixar de ser os ”eus” que habitam cada um de nós.
O artista cria objetos, como formas de membros, para falar de identidade e requinte, ostentação, perdas e danos. Cria formas e imagens fortes, considerando a pergunta que está no âmago de cada indivíduo: quem somos e o que estamos fazendo aqui?
Renato De Cara
Fevereiro de 2020