SANTÍSSIMA DUALIDADE
Santíssima Dualidade investiga a coexistência de dois seres ou dois estados em um mesmo corpo. Não como síntese, mas como fricção contínua. As figuras apresentadas não se resolvem: habitam um território de tensão, onde forças distintas disputam espaço, direção e permanência. Conviver, aqui, não é harmonizar, mas sustentar o conflito. As pinturas a óleo apresentam corpos fundidos, atravessados por sobreposições e deslocamentos de forma. Rostos, gestos e presenças se duplicam, se contaminam, se contradizem. O corpo torna-se campo de negociação entre aquilo que insiste em permanecer separado e aquilo que é forçado a coexistir. As auréolas douradas, evocando a tradição iconográfica do sagrado, não operam como promessa de redenção, mas como marca de intensificação. Santificar, nesse contexto, não purifica — expõe. O que se revela não é a unidade, mas a impossibilidade dela.