EU SOU UM MONSTRO
Monstro é uma investigação que atravessa texto, performance em vídeo, foto-performance, escultura e pintura, articulada a partir de uma reflexão sobre violência, deformação e limite. O processo se estrutura como um campo de tensão onde o corpo, a imagem e a matéria são atravessados por forças que desorganizam, distorcem e reconfiguram. A deformação, aqui, não é apenas formal, mas existencial — um modo de expor fraturas, excessos e aquilo que escapa à norma. Como disparador, o artista se aproxima de um episódio da vida de Francis Bacon: na manhã da abertura de sua grande retrospectiva no Petit Palais, em Paris, Bacon encontra seu companheiro morto. Esse acontecimento opera como gatilho para uma reflexão sobre a vida do artista, os limites da arte e as zonas instáveis da autoria. A partir dessa tensão, o artista desenvolve o texto e a performance Eu Sou um Monstro, em que a figura do monstro emerge não como exceção, mas como condição — um corpo atravessado por violência, desejo e exposição.